terça-feira, 8 de setembro de 2009

Propagandas criativas 1












Entre o cérebro e a boca calada.


Se é assim que você prefere

Se você acha que está tudo bem

Só porque eu disse que está tudo bem

Então tudo bem

Você pelo menos confia em mim


Mas podia de repente

criar um herói

destes que vencem os titãs

Um quase semi-deus


Podia tratar do bicho

como se fosse o melhor

o selecionado da espécie

o mais dos mais que já existiram


Podia assim de um jeito carinhoso

Ser o conforto do mais habilidoso

Do mais gentil e mais esperto

dos homens que vivem a vida


Podia fazer feitiçaria

Que deixassem o signo de sua época

lhe fazer rainha de toda a eternidade


Podia andar do lado

de dentro, de fora

em cima, em baixo

oblícuo, transversal


Podia violar as leis

de um jeito tão ético

que todo amor sincero

se cansa de explicar


Podia simplesmente

num rabo de olhar

deixar nascer um sorriso

que eu censuraria com a língua


Mas se não quer

Tudo bem

Não sei porque você confia tanto em mim

Macro-organismo


Vivi em março de 2007 uma situação que marcou a minha vida. Não por ser negativa, nem por ser positiva, nem por ser neutra, nem por nada.

O sono me limita descrições mais detalhistas, o fato é que eu, nerd, esperava "anciosamente" o momento de fazer uma prova de Relatividade e Física Quântica, para qual eu havia estudado e estava um pouco preparadado, e muito nervoso. Começa uma chuva que se tem noção de ser grande, rápida e única, e por esta última qualidade dou Graças a Deus!

Depois de uns 30 minutos de xoxóxoxóxoxó, truuuumm, tééééit, a água começou a invadir o páteo da Universidade, num marrom marrom, marrom mesmo, da cor marrom. em 3 minutos já subia as minhas canelas que já tinham sido abrigadas numa mesa, prevendo a inundação. Os que, diferente de mim, decidiram permanecer na mesa, tiveram de fazer dela uma balsa, e lá ficaram até a água baixar (às 3h da manhã). Eu e uns colegas mais espertos que eu inclusive, subimos sentido aos laboratórios, onde lavamos os pés. Era engraçado ver-me com os pés no tanque onde eram descartados tantas soluções que contribuiam para a evuloção científica da Universidade. Eu, ao lavar meus pés, me sentia como se o fizesse em água benta.

Entre carros, casas, computadores e outras coisas destruídas, consegui uma carona duma amiga duma amiga dum amigo meu, que me levou a estação de trem, que ficava do outro lado da enchente e ela parecia um shopping, apesar de ser 23h45min. Uma multidão cansada como eu, mas falante e conformada, aguardava o trem que reduzira 1/6 do seu percurso por causa da chuva. Por volta de 1h da manhã estava eu de volta ao meu nunca tão desejado lar.

A cidade parou, e só tragédias a faz parar. Não é que não precise nunca parar, é claro que sim, mas não pode. Não pode fazer um reparo, que para tudo, vira um transtorno, pessoas morrem, ferem-se e tudo em volta funciona mal. Para não parar, os bueiros continuam tapados, o povo ainda joga lixo na rua, não há escoamento e no fim enche e pára. A chuva não escolhe o dia de chover, nem o quanto chove em um dia. Mas é ruim que sempre que "calha" de chover muitos cidadãos urbanos perdem seus lares, seus pertences ou sua vida. Obrigatoriamente, tem que parar, mas assim que é possível, com o mesmíssimo frenesi aceso nas mentes, ela volta, desviando-se da imagem do que foi o dia anterior, pondo de lado o problema, a metrópole descontrolada volta.

Hoje, as águas não foram de março, e isto não foi motivo para que não deixassem seu rastro de destruição pela avenida. O cheiro de merda ainda flui no ar, os carros continuam presos e encharcados, as moléstias ainda não deram sinal de existência, não se descansou o stress da possibilidade de ter que dormir ali, e daqui a pouco estaremos todos de volta: o médico plantonista, o operador de máquinas, o executivo, o professor... Todos metropolitanos inspirados ou inspiradores, causas ou consequências, todos vivendo e tornando vivo o espírito inquieto da cidade que não pára porque não pode, não pode porque não quer, não quer porque não deixam, não deixam porque não pode parar.

Quando se está com sono


Quando você tem um sono gigante, mas não pode dormir fora do horário para não estragar o seu sono noturno, você "bloga"?

Eis a minha situação: há 30 minutos atrás tinha pensado em escrever 3 ou 4 textos, mas subitamente fui invadido por um cansaço mental em uma dor na coluna que me dão muita vontade de dormir.

Há tanto o que fazer, que só pode ser feito agora, mas que não tenho um pingo de criatividade.

Estou escrevendo estas palavras em tempo real... ou seria virtual? O que é virtual? será que é um sonho? Será que de certa forma tudo que estou fazendo é sonhar acordado? Não importa, o fato é que isso me mantém cansado, dolorido e acordado, mesmo que tudo isto não tenha nexo a quem possa me ler. Poderia fazer tantas coisas que me demandariam raciocínio ou atividade física, mas meus dedos são os únicos rebeldes da minha preguiça.

Sou, infelismente, um preguiçoso: acordo às 7h, trabalho até às 17h e faço faculdade das 19h às 23h. Nos fins de semana, estudo. nos minutos livres escrevo. Sou um grande preguiçoso, ainda assim, pois já devia ter me acostumado com a dor nas costas que sinto há quatro anos, com as férias tediosas e curtas que não sei curtir, com o sono que me impede de resolver um exercício de mecânica dos sólidos, que bate sempre no mesmo horário, não importa a circunstância, mas dependendo dela, eu nem sinto, apesar de saber que ele bate. Mas acho que ainda não deixei claro o quão preguiçoso eu sou. Poderia ligar a TV, mas pegaria no sono na primeira vinheta. Poderia descer e comer alguma coisa, mas não estou com fome. Poderia masturber-me, mas me dá ódio pensar em não ter quem faça isto por mim, tudo por causa da minha prequiça.

Seria preguiça apenas querer que alguém me masturbe?

Afinal, tocar neste assunto me deixa gradativamente menos preguiçoso.

Cheguei até a esquecer que as costas me doem, mas lembrei-me agora, por tê-lo dito.

Lembrei-me de algo relacionado a isto, mas me fugiu.

Posso contemplar a mecânica despretenciosa dos meus dedos que registram o vazio do meu cérebro que pela primeira vez não se preocupa com a grafia certa das palavras. Será que não se preocupa? Se não se preocupasse não associaria imediatamente a despretenção da ação dos dedos a grafia correta das palavras.

O fato é que mesmo em seu letargo, meu cérebro é domado a parecer gentil a quem por ele nem se importa, só quer que acorde as 7h e permaneça acordado até as 23h, raciocinando, agindo, memorizando como se fosse seu desejo. Mas as costas doem, a ao doerem confrontam a luta do cérebro com a vontade deste, de se entregar ao delíquo sem culpa. E pelo letargo ou pelo delíquo, já não é mais do cérebro a preguiça imperatriz, é do conflito que até as 23h não o deixará dormir.